O blog mudou

Passei um tempo sem escrever, pois precisava avaliar os rumos e objetivos do blog. Quando criei o blog Tecnologia e Inovação minha ideia principal foi apresentar recursos de tecnologia para que professores da Ed. Básica pudessem tornar suas aulas mais criativas e atraentes para os alunos do nosso tempo. À medida que o tempo foi passando percebi que apesar de eu conhecer muito sobre tecnologia e sua utilização na escola, minha escrita no blog extrapolava o campo da tecnologia na educação. Gosto desse tema, mas ele sozinho, desconectado de tudo que atravessa a Educação parece ficar um pouco esvaziado. Mais do que escrever sobre Tecnologia na Educação, sinto que é necessário escrever e refletir sobre a Educação como campo de saber, de lutas e de inovações. Sou primordialmente professora e a aprendizagem, o ensino, o professor, a escola, a leitura, a matemática, as ciências, enfim, a cultura me interessam, e atraem meu olhar . É inevitável que eu escreva sobre tecnologia dentro de um contexto mais amplo porque já não é possível pensar em Educação e não falar de tecnologia, visto que nossa sociedade está irreversivelmente imersa na tecnologia. Mas na segunda etapa desse blog, a ideia é que os assuntos não se esgotem na questão da tecnologia educacional e sim que meu olhar consiga captar e expressar outros atravessamentos que formam uma tessitura, uma composição das vozes que dizem da Educação nos nossos dias. Mudei o layout do blog e ele está temporariamente sem um nome. Gosto do movimento que me tira de uma posição estática e coloca em novos caminhos. Espero continuar interessando a todos os que têm me seguido até aqui e também receber novos leitores e colaboradores.

Esmagado pelo poder

Hoje quero compartilhar um texto que não é meu, mas que expressa melhor do que eu mesma seria capaz o que sinto em relação à morte do Aaron Swartz e de sua militância tão essencial na internet, que deixa de existir com sua morte  precoce. A Eliane Brum é uma jornalista e escritora que eu acompanho e admiro muito, por essa razão quero dar voz às palavras dela sobre um assunto que diz respeito a todos nós que vivemos na sociedade da informação. Clique aqui para ler o texto Perdão, Aaron Swartz na coluna semanal da Eliane Brum na revista Época.

11 Razões para professores e gestores criarem blogs

Esta é a versão original de um artigo de opinião que escrevi para a edição de Dezembro/2012 da revista Educação em Revista do Sinepe/RS.

Blogs são ferramentas de utilização descomplicada e simples que permitem que você tenha uma audiência para o que escreve e aumentam exponencialmente sua comunicação com alunos, pais, colegas e público em geral. Seja o professor que mantém um blog de sua disciplina ou turma, ou o diretor/coordenador que tem em seu blog um canal aberto de comunicação com a sua instituição de ensino, o fato é que escrever um blog vai torná-lo mais próximo de sua comunidade de atuação. Deste modo, aponto algumas razões pelas quais você deveria ter seu próprio blog.

  • O blog quebra barreiras entre você e seu grupo de atuação. À medida que escreve e narra os acontecimentos, você cria mais cumplicidade e compreensão com seus leitores.
  • Por meio da ferramenta comentários, as pessoas que acompanham seu blog podem fazer perguntas, comentar e dar suas opiniões. As pessoas passam a interagir mais e diminuem os distanciamentos.
  •  O blog serve também para mostrar o que você tem realizado em sua instituição de ensino. A transparência nas ações cria vínculos duradouros com as pessoas envolvidas.
  • O blog pode funcionar como um centro de referência de sua trajetória profissional. Pode ser um portfólio pessoal não só de suas ações, como também daquilo que você pensa, dos livros que lê, dos autores que admira e das ideias em que acredita.
  • Divulgue seu blog e estabeleça relações com outros profissionais da área. Comente em blogs de colegas e especialistas e também convide outros para conhecerem e comentarem em seu blog.
  • Seu blog será seu ambiente pessoal de aprendizagem, no qual você não só compartilha seus conhecimentos como participa dos ambientes de outros profissionais, trocando ideias e experiências e desenvolvendo-se profissionalmente de maneira contínua.
  • Escrever é um exercício de reflexão pessoal, e blogs são meios incríveis para que você reflita não só sobre sua própria escrita, como também sobre sua prática profissional. Ou seja, refletindo sobre suas postagens você passa a observar melhor o que tem feito e como pode aprimorar sua própria atuação.
  • Compartilhe recursos e ideias em seu blog. O conhecimento é algo que precisa circular, e blogs podem ser ferramentas de excelência para que isto aconteça.
  • Por meio do blog você estará investindo continuamente em sua formação profissional. Isto faz com que você se informe mais, busque ideias inovadoras e seja capaz de adicionar novos aspectos à sua prática profissional.
  • O blog permite que sua comunidade acompanhe você nas mudanças que precisam ser implementadas em sua instituição. O caminho percorrido e compartilhado gera maior compreensão das mudanças necessárias.
  • Com seu blog, de modo muito generoso, você permite que outros também compartilhem seus conhecimentos e experiência. Isto dá ao seu próprio caminho profissional um grande valor. Você passa a narrar a sua própria história na educação, na medida em que escolhe começar a expressar e dividir suas experiências.

Marlise-revista em educação Sinepe

Ô tia! Me ensina a ler?

Quem me interpelou desta maneira foi o Bruno*, guri de 12 anos que contou brevemente sua vida escolar: “Eu tenho 12 anos e devia estar na 7ª série né? Mas até agora eu não sei ler. Tô no Acelera Brasil (programa do Instituto Ayrton Senna que combate a repetência que gera distorção entre a idade e a série que o aluno frequenta), mas a professora já me disse que eu fui reprovado este ano. Me ensina a ler aí tia”! A conversa aconteceu em uma comunidade que é um microcosmo do que é o Brasil. Trata-se da Ilha das Flores, situada a 10 min. do centro de Porto Alegre e que me faz lembrar da “Belíndia”, termo popularizado anos atrás que faz menção a um país fictício e dividido entre os que moravam em condições similares à Bélgica, e aqueles que tinham o padrão de vida da Índia. A Ilha das Flores é assim, uma ilha de contrastes: miséria e riqueza, lixo e luxo, analfabetismo e educação de alto nível. Obviamente, o Bruno vive no lado da Índia.Vai à escola pública da Ilha desde os sete anos e acumula fracassos, o que o torna um forte candidato à evasão escolar bem como a engrossar as fileiras dos que passaram pela escola e pouco ou nada aprenderam. Acha que é burro, segundo suas próprias palavras. Mas é um menino alegre, ativo, esperto e que faz aulas de violão na ONG atuante na Ilha. Não há nada de errado com o Bruno do ponto de vista cognitivo, mas ainda assim, a alfabetização é indecifrável para ele. Sabe que na sua idade já deveria saber ler e escrever e que o fato de não ser capaz de fazê-lo demonstra que algo está errado, e culpa a si mesmo. Neste final de ano aqui no blog Tecnologia e Inovação eu gostaria de desejar que muita inovação acontecesse nas escolas do Brasil e que meninos como o Bruno pudessem ter seu desejo de aprender a ler atendido. Será que ele está pedindo muito? A grande contradição é que alfabetizar talvez seja a missão mais tradicional da escola e é aí que a inovação se faz necessária. É preciso que a escola passe a efetivamente ser bem sucedida em alfabetizar tanto nas letras, quanto na matemática. Nisso consiste a grande inovação. Temos que inovar no que já deveria estar superado. De qualquer maneira, sempre é tempo de agir para que mais Brunos não saiam por aí implorando às professoras que encontram pelo seu caminho para que, por favor, o ensinem a ler.

*nome fictício

leitura

Jogo da velha, Moinho, Resta 1, Tangram…

Tive o prazer de conhecer e visitar a EMEF de Surdos Bilingue Salomão Watnick em Porto Alegre, que trabalha com surdos com ou sem outras deficiências associadas. É muito bom poder escrever e compartilhar sobre escolas públicas que dão certo e que cumprem seu papel com excelência. O objetivo da visita foi conhecer o projeto de jogos de raciocínio lógico,  mas confesso que fiquei muito impressionada com o ambiente da escola e sua grande área verde, com o clima de aprendizagem colaborativa e com a gentileza de alunos, professores e funcionários. Mas voltemos ao projeto de jogos coordenado pelos professores Liliane Giordani (FACED/UFRGS) e Renato Ribas (Informática/UFRGS), além de bolsistas e monitores que sabem Libras e ensinam as regras e funcionamento dos jogos. O objetivo do projeto é “proporcionar uma atividade lúdica para o desenvolvimento do raciocínio lógico dos alunos, em particular dos surdos que tendem a apresentar maior capacidade de concentração e menor distração durante os exercícios de aprendizagem”.  No dia que estive na escola pude conversar com a Profa. Liliane sobre o desenvolvimento do projeto que iniciou com uma animação em power point dos jogos, feita pelos bolsistas, para que os alunos pudessem visualizar as etapas do projeto e os jogos envolvidos. Além de aprender as regras dos jogos, os alunos também participaram de oficinas para a confecção dos tabuleiros e peças dos jogos. Eu pude ver um grupo de alunos pintando as peças do Tangram que eles haviam confeccionado. O projeto inclui diversos jogos de tabuleiro com o objetivo de chegar, no final, aos jogos de damas e xadrez. Durante o tempo que estive na escola, vi alunos envolvidos ativamente nos jogos, seja confeccionando como jogando, bem como professores interagindo com as crianças lembrando as regras, desafiando-os a pensarem em estratégias de jogo e antecipação do próximo movimento do adversário. Perguntei à professora Liliane sobre a possibilidade de jogar os mesmos jogos no computador, mas é claro que não haveria toda a riqueza do processo de elaboração dos jogos e nem a interação entre os jogadores como no jogo físico. Além disto, ao final do projeto cada criança vai poder levar os jogos para casa. Como eu digo sempre aqui no blog, inovação em educação não é necessariamente realizada, na sua totalidade, através da tecnologia. Há neste projeto um componente de tecnologia que é auxiliar, mas a real inovação está no envolvimento e interação dos envolvidos em toda a trajetória do projeto. Parabéns à Profa. Liliane e sua equipe, à diretora da escola, Profa. Sônia Luisi,  por sua visão e gestão que é visivelmente de excelência e também aos professores dos alunos envolvidos neste projeto.

salomao5

salomao4

salomao3

salomao2

salomao1

Manual do Mundo

manual do mundoQuando eu descobri o Manual do Mundo fiquei pensando sobre como aprender e desenvolver o gosto pela ciência e quem sabe, formar futuros cientistas inicia, passa e é sedimentado pela escola. E isto é tanto para o mal como para o bem. Pode-se passar pela escola e sair detestando ciência, e tudo o que tem a ver com o mundo físico e fenômenos da natureza, como é possível também descobrir, na escola, que fazer ciência é muito interessante. Além disto, ensinar ciência com competência pode atuar de forma contundente em atrair novos talentos para uma área na qual o Brasil precisa tanto crescer para conseguir responder a desafios que estão presentes em nossa realidade. Pois o Manual do Mundo é assim, traz a ciência para perto de crianças e adolescentes, usando muito bem algo que é tão presente nesta fase da vida: a curiosidade. Basicamente são vídeos muito dinâmicos com experimentos de Ciências que fascinam jovens olhares pela manipulação de objetos, substâncias e pequenos mecanismos. Ora, o professor que se apropria deste recurso, que está livre e disponível através do site e do canal no YouTube, já está tendo um papel bem diferente e muito mais transformador do que aquelas tradicionais aulas de Ciências com um livro aberto e com o professor explicando coisas tão distantes do mundo real na frente de um grupo de jovens mentes inquietas. Além dos experimentos de Ciências, o Manual do Mundo também traz coisas divertidas como mágicas, e brincadeiras inúteis (segundo o site), mas que a meu ver não são tão inúteis assim porque permitem a ação, dão espaço para perguntas e para o lúdico.  Sempre ao final do vídeo, o Iberê Thenório que é o criador e apresentador dos vídeos, traz a explicação teórica para o experimento, mas é claro que daí o pessoal não dorme ao ouvi-lo, pois a esta altura a curiosidade já está tão aguçada que a atenção para o porquê do fenômeno vem quase naturalmente. Sem falar que o Iberê é um super comunicador que consegue transmitir conceitos de forma muito eficaz. Enfim, recomendo e se alguém já tiver usado em suas aulas por favor comentem contando como tem sido.

Promoção no Blog! Divida suas Leituras

livrosereader

Este blog trata de questões relacionadas à Tecnologia e Inovação. Já manifestei aqui minha opinião de que necessariamente a inovação não precisa passar pelo uso da tecnologia, e que as vezes até pode-se usar a tecnologia e não haver inovação alguma no que está sendo feito. Hoje estou inspirada a falar de leitura, seja ela no livro físico, com suas páginas em papel, seja na tela do computador ou e-reader. Ontem encontrei-me com um grupo de amigas queridas para um almoço cuja motivação, além da amizade e companheirismo, é falar sobre as leituras que estamos fazendo e trocar livros, socializando entre nós não só as histórias que lemos como os livros em si. Pensei que gostaria de estender a ideia e criei a promoção: Divida suas Leituras. Para participar basta escrever nos comentários do blog o nome e autor do livro, e além disto, escrever também uma ou duas frases com um pequeno resumo sobre o livro. Nesta promoção todo mundo ganha. O prêmio é conhecer as leituras que outros estão fazendo e quem sabe inspirar-nos a também ler algumas delas. Participe!

Eu li recentemente:

Por Favor Cuide da Mamãe – Kyung-Sook Shin. Este livro é de uma autora coreana e conta a história de uma mãe de cinco filhos, que vive no interior da Coreia e que, já idosa, desaparece em Seul quando vem para uma visita aos filhos. Gostei demais desta história porque, entre outros aspectos, fala da relação dos filhos adultos com uma mãe envelhecida, o que para muitos de nós é uma realidade diferente a ser conhecida.